Dedo podre: por que a gente repete as mesmas escolhas?

Você já ouviu, ou já disse, “eu tenho dedo podre”?

A expressão costuma aparecer quando alguém parece escolher sempre o mesmo tipo de pessoa, mesmo depois de jurar que “dessa vez vai ser diferente”. É uma frase leve para algo que, muitas vezes, dói.

Azar ou padrão?

Quando a mesma escolha se repete uma, duas, três vezes, vale perguntar: será só má sorte?

Uma leitura possível, na linha de Freud, é outra. Em textos como Recordar, repetir e elaborar (1914) e Além do princípio do prazer (1920), ele descreve a tendência de repetir em atos aquilo que não pôde ser lembrado e elaborado. Quem repete costuma não perceber que repete. Sente apenas que “aconteceu de novo”.

Isso não é regra nem sentença. É uma lente para olhar.

O que pode se repetir

Chamo de Eco o jeito de agir aprendido lá atrás, em outras situações e com outras pessoas, que reaparece como se o roteiro já estivesse escrito.

Nas relações, o Eco pode aparecer, por exemplo, como:

  • escolher quem está indisponível;
  • confundir intensidade com afeto;
  • ocupar sempre o papel de quem cuida, salva ou aguenta;
  • ignorar sinais que, em retrospecto, estavam ali desde o começo.

Nenhum desses itens é um diagnóstico. São formas de dizer “isso me parece familiar”.

Por que é tão difícil perceber

O que é familiar tende a parecer certo, mesmo quando machuca. Por isso a escolha raramente parece escolha. Parece “química”, “destino” ou “coincidência”.

Três perguntas para olhar com calma

  1. O que essas pessoas têm em comum, além do que eu gostaria que fosse diferente?
  2. Que papel eu costumo ocupar nessas relações?
  3. Isso me lembra uma história mais antiga?

Não precisa responder agora. Escrever as respostas à mão, sem se cobrar, já é um começo.

E se eu quiser entender melhor?

Reconhecer um padrão não é se culpar, nem receber um rótulo. Se esse tema pesa na sua vida, conversar com um profissional de saúde mental pode ajudar a elaborar o que a repetição esconde.


Quinta-feira (05/11), às 20h, eu e a @maricecconello_ conversamos ao vivo sobre isso. Ative o lembrete no Instagram.

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Dr. Carlos Viviani | Psicólogo e Psicanalista | CRP 06/199833. Conteúdo educativo. Não substitui atendimento psicológico.


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